OS ESPELHOS MORTOS

 

(Historia delenda est)

                                                   Para Jerónimo Granda

 

 

Em suas águas apodrecem

aqueles olhos todos,

e os corpos, aqueles

redemoinhos de sombras

que um dia se miravam.

 

Os lábios de Narciso,

 

        as mãos de Arnolfini e o ventre de sua esposa,

 

 

a Vênus de don Diego,

 

                        a guirlanda de Ofélia,

 

os cachos do Rei-Sol,

 

a púrpura daquele papa Inocêncio,

 

aquelas roupas brilhantes que traíam ...  

E esse pó tão triste

de tantos ouropéis da História.


Francisco Álvarez Velasco

(Tr. de Andityas Soares de Moura:

de A hera do silêncio )

 

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